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A ansiedade da TI em acompanhar o crescimento do negócio, e os riscos que surgem quando a velocidade supera a maturidade tecnológica

  • Positivo S+
  • 14/08/2026

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A ansiedade da TI em acompanhar o crescimento do negócio, e os riscos que surgem quando a velocidade supera a maturidade tecnológica

  • Positivo S+
  • 14/08/2026

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Por Ângelo Rafael Rodrigues Bezerra da Silva – Gerente de Segurança da Informação

A maturidade tecnológica é o que permite que a TI acompanhe o crescimento do negócio sem abrir mão da segurança, da governança e da eficiência. Mas, quando a velocidade dita o ritmo do negócio, nem sempre há tempo para fortalecer essa base antes da próxima entrega. 

“Precisamos colocar isso em produção até sexta-feira.” “O cliente não pode esperar.” 

“Depois a gente ajusta os controles.” 

Quem trabalha com Tecnologia provavelmente já ouviu, ou disse, frases como essas inúmeras vezes. 

Na maioria dos casos, elas não representam irresponsabilidade. Pelo contrário. São reflexo da pressão legítima para atender às demandas do negócio, conquistar novos clientes, lançar produtos, cumprir prazos e manter a competitividade. 

O problema começa quando a urgência deixa de ser exceção e passa a ser o modelo de operação. É nesse momento que a ansiedade por entregar rapidamente pode criar uma dívida silenciosa: a dívida de segurança. 

Crescer rápido não é o problema 

Toda empresa deseja crescer. Novos clientes, novos produtos, expansão para outros mercados, aquisições, iniciativas de Inteligência Artificial, computação em nuvem e transformação digital. 

maturidade tecnológica

Tudo isso faz parte da estratégia. E, quase sempre, existe uma área responsável por transformar essas decisões em realidade: a Tecnologia. É justamente nesse momento que a maturidade tecnológica se torna um diferencial competitivo, pois garante que a evolução do negócio aconteça com segurança, eficiência e capacidade de escala. 

O erro não está em acelerar. O erro está em acelerar sem que processos, governança, controles e a própria maturidade tecnológica evoluam na mesma velocidade. 

Quando isso acontece, ambientes são disponibilizados às pressas, integrações entram em produção sem a devida validação, fornecedores são incorporados sem avaliações completas e exceções deixam de ser pontuais para se tornarem rotina.

À primeira vista, tudo parece funcionar. Mas, em muitos casos, o custo dessa velocidade só aparece meses depois.

Quando falamos em maturidade tecnológica, não estamos nos referindo apenas à adoção das tecnologias mais 

recentes.

Uma empresa tecnologicamente madura possui processos consistentes, infraestrutura preparada, segurança e capacidade de escalar suas operações sem que cada novo projeto represente um risco adicional. Em outras palavras, é a maturidade que permite que a velocidade impulsione o negócio, e não comprometa sua estabilidade. 

O custo invisível da velocidade 

Toda entrega rápida deixa rastros. Uma regra de firewall criada de forma emergencial. Uma conta privilegiada que nunca foi revisada. Um ambiente sem monitoramento adequado. Uma API publicada sem autenticação robusta. Um servidor que ficou fora da gestão de vulnerabilidades. Uma integração que nunca passou por uma análise de risco. 

Individualmente, cada uma dessas decisões pode parecer justificável. O problema é que riscos raramente se manifestam de forma isolada. Eles se acumulam. 

E, quando um incidente acontece, normalmente não é consequência de uma única falha, mas da combinação de várias pequenas concessões feitas ao longo do tempo. 

A superfície de ataque cresce junto com o negócio 

À medida que a organização evolui, cresce também a sua complexidade. Mais ambientes em nuvem. Mais fornecedores. Mais APIs. Mais usuários. Mais acessos privilegiados. Mais dispositivos. Mais integrações. Cada novo ativo representa uma oportunidade para o negócio. 

Mas também amplia a superfície de ataque. O desafio é que essa expansão costuma acontecer muito mais rápido do que a evolução dos processos de governança, monitoramento e gestão de riscos. 

É justamente nessa diferença de ritmo que surgem vulnerabilidades difíceis de identificar até que sejam exploradas. 

A ansiedade também chega às equipes de Segurança 

Existe um aspecto que merece atenção. A pressão não está apenas sobre a Tecnologia. 

Ela também recai sobre as equipes de Segurança da Informação. Cada novo ambiente precisa ser monitorado. Cada nova aplicação precisa gerar telemetria. Novas integrações exigem casos de uso. Novos acessos precisam ser protegidos. Playbooks precisam ser atualizados. 

Ferramentas precisam conversar entre si. Tudo isso enquanto a operação continua respondendo a incidentes, monitorando alertas e apoiando o negócio diariamente. 

Quando Segurança atua apenas depois que tudo já foi decidido, ela inevitavelmente passa a trabalhar de forma reativa. E atuar sempre correndo atrás das mudanças não é uma estratégia sustentável. 

Segurança precisa fazer parte da estratégia 

Existe uma visão ultrapassada de que Segurança da Informação é a área que atrasa projetos. Na prática, organizações maduras demonstram exatamente o contrário. 

Quando Segurança participa desde a concepção de uma iniciativa, ela reduz retrabalho, evita mudanças emergenciais, melhora a arquitetura das soluções e contribui para que os projetos cheguem à produção com mais previsibilidade. 

Não se trata de impedir entregas. Trata-se de fazer perguntas que muitas vezes ninguém teve tempo de fazer. Estamos preparados para operar esse novo ambiente? Teremos capacidade de monitorá-lo? 

Sabemos como responder a um incidente? Os acessos estão adequadamente protegidos? 

Existe um plano de continuidade caso algo falhe? Responder a essas perguntas antes da implantação costuma ser muito mais barato do que respondê-las durante uma crise. 

Maturidade tecnológica: o crescimento sustentável exige equilíbrio 

Empresas que crescem rapidamente inevitavelmente enfrentam momentos em que a demanda supera sua capacidade operacional.Isso faz parte da evolução de qualquer negócio. 

O problema surge quando a pressão constante por velocidade passa a justificar a ausência de planejamento, a flexibilização de controles e o adiamento recorrente de decisões importantes. 

A maturidade tecnológica de uma organização não deve ser medida apenas pela rapidez com que entrega novos produtos ou serviços. 

Ela também deve ser medida pela capacidade de manter esses ambientes seguros, resilientes e governados enquanto continua crescendo. 

Porque acelerar é importante. Mas acelerar sem fortalecer pessoas, processos e tecnologia significa ampliar riscos na mesma proporção em que se ampliam as oportunidades. 

No fim,o papel da Tecnologia não é apenas entregar velocidade. É garantir que o crescimento do negócio seja sustentável, resiliente e seguro. E esse talvez seja um dos maiores desafios da liderança de TI na atualidade.

E por aí? Como você tem equilibrado os pratos de forma a (tentar) garantir que não caiam? Quer bater um papo com nossos especialistas? 

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